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LiberTango lança 'Porteño', com obras de Gardel e Piazzolla
Yamandu Costa, Nicolas Krassik e Luis Barcelos participam
Após estudar profundamente a obra de Astor Piazzolla (1921-1992) em dois discos, o grupo LiberTango alargou o passo e incluiu canções de Carlos Gardel (1890-1935) com parceiros no terceiro álbum, Porteño (Delira Música), a ser lançado dias 21 e 28 de outubro, às 21h30, no piano-bar Lapinha e dia 23, às 18h, no Museu Villa-Lobos. “Nem Gardel nem Piazzolla eram de Buenos Aires, mas adotaram aquela estética por toda a vida. Daí o nome do disco”, situa Marcelo Caldi, acordeonista do quarteto, formado por Alexandre Caldi nos sopros, Estela Caldi no piano e Marcelo Rodolfo nos vocais. Foi coincidência, mas como jornalistas adoram datas redondas, lá vai: neste 2010 completam 120 anos de nascimento e 75 anos da morte de Gardel.
Em três décadas e um punhado de anos, Carlos Gardel gravou mais de novecentas canções, do tango ao fado, dos pasodobles às músicas folclóricas. “Estávamos começando a ficar limitados em termos de canções porque o forte de Piazzolla é o instrumental e já gravamos as principais dele. Testamos ‘Por una cabeza’ nos shows e funcionou tanto que abrimos o novo disco com esse clássico. Acreditamos que foi um acerto incorporar a obra de Gardel ao nosso repertório”, diz o cantor Marcelo Rodolfo, sem descartar a vontade de fazer com o grupo um disco autoral e inédito de tangos e afins.
Ao todo, Porteño traz dez faixas. As cantadas são de Gardel, a maioria com letra de Alfredo Le Pera, brasileiro nascido em Santos que morreu no mesmo acidente aéreo que matou o parceiro. No roteiro, estão as populares “Volver”, “Melodía de arrabal” (deles com Mario Battistella), “El día que me quieras” (da dupla mais Juan Carlos Canderón) e “Mano a mano” (Gardel, José Razzano e Celedonio Flores). “Mano a mano” tem a participação especial do violão de Yamandu Costa, que é carregado de influências da música argentina nas milongas, habaneras e vanerões que aprendeu nos Pampas Gaúchos, onde nasceu.
De Piazzolla entraram as três que faltavam do conjunto “Las cuatro estaciones porteñas”: “Otoño porteño”, com o bandolinista Luis Barcelos, outro gaúcho residente no Rio, mais “Primavera porteña” e “Verano porteño”, esta com o violino ensolarado de Nicolas Krassik, francês que escolheu o Rio de Janeiro para morar há quase uma década. “Invierno porteño” está registrada no segundo disco do LiberTango, Cierra tus ojos y escucha, sucesso de crítica e público, com direito a muita gente voltando para casa da porta do teatro no fim de semana de lançamento do álbum, em 2008.
Piazzolla gostava de escrever novos arranjos para as mesmas músicas e assim foi feito com “Adiós nonino”, gravado no álbum de estreia do conjunto, A música de Astor Piazzolla (2005). Marcelo fez um arranjo contemporâneo para a versão do novo disco, mas quem se desdobra para interpretá-la é a Estela, mãe dele e de Alexandre, argentina radicada no Rio há mais de 20 anos. “O arranjo é complexo, mas ficou emocionante”, comenta Estela. Outra maravilha do repertório é a balada “Tanti anni prima” (traduzindo do italiano, ‘tantos anos atrás’). Os tios e avós de Piazzolla tocavam acordeon e ele adorava sax dos tempos em que morou nos Estados Unidos. “Acho que ele teria um prazer enorme de ouvir a nossa versão, com acordeon, saxofone e piano”, estima Alexandre Caldi.